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RAG governado: como impedir que uma IA cite documentos sem permissão

Um assistente de IA só é seguro se as suas fontes forem seguras. Pedir no prompt que respeite permissões não é segurança: o filtro pertence à recuperação, antes de o modelo ler. O que a recuperação deve provar, e uma checklist para avaliar um RAG empresarial.

RAG governado com filtro de permissões antes de a IA usar documentos como fontes.

Um assistente de IA empresarial só é seguro se as suas fontes forem seguras. Não basta pedir no prompt que «respeite as permissões»: se o motor de pesquisa por baixo devolver documentos indevidos, a resposta pode revelar conteúdo que a interface normal nunca mostraria. RAG governado é a regra que evita isso — aplicar o controlo de acesso na recuperação dos documentos, antes de a IA responder, para que o assistente só cite fontes que o utilizador poderia abrir sozinho.

RAG (retrieval-augmented generation) é a técnica em que um modelo responde a partir de passagens recuperadas dos documentos da organização; «governado» quer dizer que essa recuperação obedece às regras de acesso de tudo o resto.

O risco escondido

Muitas equipas avaliam um assistente perguntando se ele responde bem. A pergunta crítica é outra: que documentos leu para responder? Se um utilizador sem acesso a um documento restrito recebe uma citação dele, o dano já aconteceu. A resposta pode ser apagada; a informação foi vista.

O que torna o risco escondido é a ausência de sintomas: não há erro nem aviso, e nada na conversa diz que uma fronteira foi atravessada.

Por isso, como se argumenta em Porque é que o assistente de IA responde com o documento errado, segurança em RAG não é uma frase no prompt. É uma regra na recuperação.

Um prompt não é um mecanismo de segurança

A tentação é grande: escrever «não reveles documentos confidenciais» no prompt de sistema e dar o assunto por resolvido. Há três razões para isso não ser segurança.

  • O prompt chega tarde. Um sistema RAG pesquisa, monta o contexto e só depois gera; quando a instrução é lida, as passagens já estão no contexto.
  • O modelo não sabe o que o utilizador pode ver. Não tem acesso a papéis, âmbitos ou equipas, e um documento restrito raramente se anuncia no texto.
  • Uma instrução é uma preferência, não uma garantia. É seguida com probabilidade alta, não com certeza, e a própria pergunta pode empurrar o modelo na direção contrária.

Filtrar a resposta à saída tem o mesmo defeito: o documento já foi lido.

Regra no prompt Filtro à saída Filtro na recuperação
Quando atua Documento já no contexto Resposta já escrita Antes de o modelo ler
O que o modelo vê Tudo o que a pesquisa devolveu Tudo o que a pesquisa devolveu Só o que o utilizador pode abrir
Resiste a uma pergunta hostil Não Em parte Sim
Regista o que excluiu Não Raramente Sim

O que a recuperação deve provar

A regra cabe numa frase: a lista de fontes entregue ao modelo tem de ser um subconjunto do que o utilizador poderia abrir na aplicação. «Poderia abrir» inclui todas as dimensões que a aplicação já usa para o decidir: o tenant (a organização a que pertence), o papel, o âmbito, a equipa, o dossiê em que a pergunta é feita e a confidencialidade do próprio documento.

Uma consequência direta: a mesma pergunta produz fontes diferentes para utilizadores com permissões diferentes. Não é um defeito; é o comportamento correto.

E é testável, mas só de forma negativa. Provar que a fonte aparece para quem pode vê-la não prova nada sobre segurança. O teste que interessa é o segundo: com uma conta sem acesso, fazer a pergunta que devia trazer o documento restrito e confirmar que ele desaparece das fontes — das fontes, não apenas do texto da resposta.

Um disco partilhado bem arrumado já sabe quem pode abrir cada pasta. O erro está em construir um índice de pesquisa que o esquece.

O que o DOK Genius faz

No DOK Genius, o Genius — o assistente — faz parte da governação documental, com duas consequências práticas.

A primeira é que as respostas carregam fontes: cada resposta indica de que documentos e de que dossiês veio, e essas fontes ficam disponíveis para revisão posterior.

A segunda é que a política de acesso dos dossiês é aplicada antes de o Genius responder. A pesquisa corre dentro do tenant e do contexto autorizado do utilizador: os dossiês que ele não pode ver ficam fora da pesquisa, e não apenas fora da resposta. É o modelo de acesso das restantes funcionalidades da plataforma, descrito na página de segurança.

Falta uma dimensão, e é honesto dizê-lo: a confidencialidade de cada documento dentro do dossiê. Levar esse nível ao filtro do Genius está previsto no roadmap, juntamente com a confidencialidade ao nível do documento. Até lá, a regra é a do dossiê — e uma IA que encontra a resposta certa no documento errado continua a ser um problema.

Checklist para avaliar um RAG empresarial

Seis perguntas, e a resposta que devia ouvir.

  • A recuperação conhece o utilizador? A pesquisa corre com as permissões de quem pergunta, não com as da aplicação.
  • As permissões são aplicadas antes da geração? O filtro está na seleção das passagens, não no prompt nem na resposta.
  • As fontes aparecem para auditoria? Cada resposta guarda que documentos leu, e essa lista pode ser consultada mais tarde.
  • A confidencialidade do documento entra no filtro? Não só o acesso ao dossiê ou à pasta: o nível do próprio documento.
  • Há testes negativos? Um documento restrito desaparece das fontes para quem não pode vê-lo, e o teste repete-se quando as permissões mudam.
  • A interface permite abrir a fonte citada? Uma citação que não se abre não se verifica.

Se a resposta a alguma for «não», a IA pode estar a saber demais.

Perguntas frequentes

O que é RAG governado?

É RAG em que a recuperação obedece às mesmas regras de acesso que a aplicação: tenant, papel, âmbito, equipa, dossiê e confidencialidade do documento. Na prática, o assistente só lê — e portanto só cita — o que o utilizador poderia abrir sozinho.

Não chega dizer ao modelo para não revelar documentos confidenciais?

Não. Quando a instrução é lida, o documento já está no contexto; o modelo não sabe o que cada utilizador pode ver; e uma instrução é seguida com probabilidade, não com certeza. Um prompt melhora o tom e a forma da resposta, mas não é um mecanismo de segurança.

Como se testa se um assistente respeita permissões?

Com um teste negativo: escolha um documento restrito e uma pergunta que o traria de certeza. Com uma conta que pode vê-lo, confirme que aparece nas fontes; com uma conta que não pode, confirme que desaparece. Repita quando as permissões mudarem.

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